SÚPLICA A JESUS, VÍTIMA DOS PECADORES

Jesus que vossos ombros chagados me ensinem a não protestar contra a responsabilidade que destes; a ferida de vosso coração seja aceita pelo meu, como o melhor conforto nas horas de desilusões; vossa amizade de onisciente para com Judas, sobrenaturalize o olhar para Pedro, a grande lição que meus afetos eu aproveito, para perdoar àqueles que não guardaram eu aproveito, para perdoar àqueles que não guardaram minha confiança; o adeus á vossa Mãe me liberte de todos os apegos; vosso último olhar para o céu prenda, na esperança de vos ver, todos os meus olhares; vossa última palavra seja minha realidade suprema. Ó meu Jesus que, vosso último Suspiro, entrada que dolorosa nos domínios da morte, guarde minha vida para vida eterna. Amém. 

Dom Jorge Marcos de Oliveira

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FUNDAÇÃO

A Associação Lar Menino Jesus, nasceu em fevereiro de 1956. Como outras entidades, era um grupo de pessoas, motivadas pela fé, pelo desejo intenso de ajudar ao próximo.

Fundada por Dom Jorge Marcos de Oliveira, 1º. Bispo de Santo André, que chegando em 1954, logo sentiu a realidade social triste da Região do Grande ABC.

A explosão industrial trouxera para cá numerosíssimas famílias e pessoas que, sem qualificação profissional, acabavam ficando sem trabalho e sem moradia, seus filhos largados a Deus dará…

Inaugurada as pressas em 1956, a 1ª casa (cedida pela PMSA) com 08 meninas internadas por Dom Jorge. Logo já eram 50. Dom Jorge criou nesta época o Instituto Servas do Menino Jesus para trabalhar nas obras da Diocese‑especial e primordial mente no Lar Menino Jesus.

 

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Nossas crianças viviam naquela época em internato “aberto”, era novidade quase chocante. O povo não confiava que daria certo. Elas freqüentavam as escolas da cidade, iam ao cinema, missas, faziam as tarefas domésticas em sistema de rodízio, tinham aulas de violão, artes, etc. na obra e fora dela e tinham férias na praia.

Fomos muito criticados pela sociedade “elite” da época que queriam que a entidade fosse mais uma escola  de “formação de empregadas domesticas”, do que aquilo que era oferecido às internas.

 

associacao-lar-menino-jesusO crescimento da obra foi tanto horizontal como vertical.

A vida das crianças abrigadas era verdadeiro regime de “Lar” onde se comemorava todas a s festas, aniversários, formaturas e até noivados e casamentos. Mas este clima de família feliz não impedia o crescimento das meninas e um dia elas teriam que nos deixar.

Para nós da Associação estava claro que íamos ter, cada dia o mesmo trabalho de educação, saúde, lazer, higiene, etc., com os menores e o trabalho ainda maior de mandá‑los de volta as famílias todas as noites, de ônibus também.

As crianças entravam as 7:30 hs e ficavam até as 18:00 hs. E as maiores freqüentavam grupos escolares e até ginásios e a AL.M.J arcava com todas as despesas, inclusive material escolar, uniformes, roupas de casa, etc., na entidade a criança tomava seu banho, trocava de roupa antes de voltar para junto de seus pais ou responsáveis.

 

A Associação assumiu a responsabilidade de suas crianças perante a escola e participava por seus representantes das reuniões escolares e achávamos que estava certo. Nem poderia ser de outro modo, dada a precariedade familiar.

 

Por esse tempo ainda em 1969, iniciou‑se a construção do Centro comunitário Dom Jorge, no Pq. João Ramalho, com recursos obtidos do exterior.

Inaugurado em 1972, o Centro Comunitário foi por varias vezes visitado por estudiosos e técnicos de países como Holanda, França e Argentina, sem falarmos de professores de faculdades de Ciências Socais do Brasil.

associacao-lar-menino-jesusApesar dos três anos de construção, a obra a surgiu, de repente no bairro, junto às favelas e a população achava que era iniciativa e serviço da prefeitura. Enfrentamos por isso grandes problemas para o uso e conservação das instalações. Houve até varias depredações.

Em 1972 eram 250 as crianças sermi‑internas de 04 a 14 anos, muitas na faixa etária de 10 a 12 anos, ainda sem alfabetização ou com muitos e até graves problemas de adaptação social e escolaridade. O índice de repetência era muito alto.

Com participação de funcionários, dirigentes, assistentes sociais e médicos foi levantado o problema do atendimento da faixa etária da entidade. A conclusão do estudo nos levou a rebaixar a faixa etária passando a atender criança, de 02 a 07 anos de idade, procurando suprir, ao máximo no semi‑internato as carências sofridas por elas até os 02 anos de idade.

Levamos em conta, sobretudo que as deficiência alimentares e sanitárias até os 04 anos de idade haviam deixado em muitas crianças falhas e defeitos irreversíveis.

Aos poucos a Associação foi cedendo espaço para mães de seus assistidos e outras pessoas interessadas na participação do cotidiano da obra. Vinham para conserto de roupas, aulas, pra gestantes e mães, encontro de idosos, alfabetização de adultos, uso da biblioteca, beneficiar-se da farmácia, do consultório médico-dentário e até para cursos de costura, crochê, tricô, pintura e também lazer e esportes.

Por essa afluência de adultos achou a Associação preferível reduzir o número de crianças atendidas e assim as vagas para menores foi descendo até 150 crianças, mas em compensação a família começou a se interessar mais por seus filhos.

associacao-lar-menino-jesusEstávamos diante de uma outra comunidade obra, crianças, família e assistência social.

A convivência diária nos mostrou outra realidade. As crianças chegavam todos os dias com a historia das intimidades de sua casa, de sua família e de seus próprios problemas:

a) minha mãe está doente;
b) meu pai desempregado;
c) tenho um irmão em casa que não quer trabalhar;
d) minha irmã está esperando um filho, nem é casada nem vai poder casar;
e) meu pai não arranja emprego porque não tem documentos;
f) meu avô, coitado, nunca sai de casa;
g) não venho mais porque vamos sair do barraco.

Isto nos levou a descobrir que não adiantava nada trabalhar com uma criança que em casa tinha tantos problemas. Era necessário trabalhar com a família.

Foi assim que iniciamos um programa por vez, quase sem sentir e aos poucos estávamos fazendo:

a) auxílio documentos;
b) auxílio desemprego;
c) colocação de empregos,
d) trabalho com gestantes;
e) programa para idosos;
f) trabalho com as famílias;
g) reuniões e participação na vida da creche;

Esse tipo de atendimento ultrapassou os limites de nosso orçamento tornou‑se urgente e imperioso buscar outros recursos.

Ele veio nos mostrara necessidade de criarmos participação da comunidade nas responsabilidades.

Mostrou ainda que a entidade não estava mais programando sozinha porém tinha levado a comunidade a olhar para sua vida familiar e social começar também o programa.

A entidade havia organizado o sermi‑internato e lutava incansavelmente por ele mas, foi deixando aos poucos outras atividades serem criadas a partir

das necessidades descobertas pelo núcleo comunitário que havia surgido.

E para isso, às vezes com sacrifício a entidade cedia espaço.

Nesse momento os técnicos contratados para animar e orientar os grupos que afloraram e a intensa procura de cada atividade marcaram muito o desenvolvimento da integração Entidade‑Comunidade.

Nesse período o trabalho nas outras casas seguia também seus rumos de desenvolvimento até que:

2ª avaliação: em 1974 foi realizado o 1º Seminário da A.L.M.J, foram três dias de estudo para analisar a história, prever e preparar rumos da entidade

Do seminário participaram ativamente dirigentes da sociedade, técnico funcionários e como convidados: Federação das Entidades Assistenciais de Santo André (FEASA), Juizado de Menores, Assistentes Sociais de Santo André e São Caetano do Sul,associacao-lar-menino-jesus

Duas grandes, conclusões se impuseram:

– A entidade deixaria de ser doadora e começaria com muito maior intensidade de serviço a ser colaboradora das comunidades;

– A entidade abriria suas casas e serviços para ampla participação das comunidades.

Nessa época tínhamos uma assistente social e uma coordenadora técnica para desenvolver conosco a transformação da atividade da Associação.

Os resultados foram surpreendentes.

Durante dois anos as atividades cresceram muito e chegamos a ter no Centro Comunitário trinta e quatro grupos assumindo atividades diferentes escolhidas pela base como prioritárias.

Em novembro de 1976 com a implantação da semestralidade salarial,  enfrentamos ao lado de toda a sociedade, séria crise financeira.

A entidade, gradativamente foi desativando os setores técnicos mas os trabalhos especializados continuaram a ser apresentados por nós e por pessoas que Já estavam como voluntárias dos programas, treinadas devidamente pelos próprios técnicos.

A abertura continuou, mas com características diferentes em cada setor do Lar Menino Jesus: Centro Social São Caetano, Casa Santa Leonilda – Camilópolis em Santo André. Casa Santa Mônica – São Bernardo do Campo, Centro Comunitário Dom Jorge ‑ Pq. João Ramalho – Santo André.

A maior ou menor participação da comunidade dependeu de muitas variantes: dirigentes, funcionários, localização, instalações, situação física, voluntários e recursos financeiros levantados em parte pela entidade e em parte pela comunidade.

associacao-lar-menino-jesusCada setor teve estágios diferentes, com altos e baixos, avanços, recuos para novos deslanches.

É muito mais fácil para uma entidade programar e executar seus programas, impor soluções e escolher métodos de cima para baixo …Isso não exige tanto esforço e tempo dos dirigentes, uma vez que feita à programação é s acompanhar, com autoridade sua execução e fazer as correções que julgar necessárias, oportunas ou convenientes.

Participar com a comunidade exige da Associação, muita sensibilidade, muita abertura muito tempo para reuniões, esforço para capacitação dos grupos que estudam programas e métodos e a paciente espera até o amadurecimento de cada grupo para propor atividades, soluções, novas atitudes linguagens e métodos.

O Centro Social São Caetano recebia crianças de até 09 anos de cortiços do município e desenvolvia com elas e suas famílias um trabalho que deixou saudades, pois aos poucos a prefeitura criou em cada bairro escolas que não exigiam das famílias o esforço comunitário de reuniões, atividades, participação nas festividades, na vida da casa e na descoberta de problemas.

O Centro Social chegou a ter cursos de especialização profissional de mão de obra, cursos de jornalismo especializado em assuntos proletários, de teatro com peças criadas pelos grupos participantes da casa.

Com a modificação da clientela e o altíssimo custo dos serviços, as atividades da casa foram reduzidas, mas a orientação das crianças e das mães e a participação comunitária ficaram quase que restrita a lazer, criação de meios como quermesses, festas, etc. para levantamento de fundos e participação ainda nas datas festivas nacionais, estaduais e municipais.

Ainda hoje o fato de todas as entidades do município se restringirem a crianças de zero a 06 anos a entidade desde 1985 se esforça pela mudança

da faixa etária, mas gradativamente, para uma clientela de 07 a 14 anos. Assim o Centro Social tentaria absorver os menores que seriam desligados das outras obras. Continuamos, entretanto, ainda, a atender alguns menores de 04 a 07 anos, por insistência de suas mães, dado o fato de seus filhos maiores estarem sendo atendidos pela nossa casa.

 

 

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ATENDIMENTO ATUAL

Centro Comunitário Dom Jorge
N˚ de Vagas: 100
Atualmente: 88
Sexo: ambos
Idades: 6 a 15 anos

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Centro Comunitário 2014

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